terça-feira, 26 de abril de 2011

Arte Cemiterial ou Tumular

Cemitério Du Père Lachaise em Paris



Cemitério De La Recoleta em Bueno Aires

Cemitério Campo Santo em Salvador



Cemitérios são lugares fascinantes,repletos de curiosidades, símbolos, obras de arte e mistérios. O lugar escolhido para o repouso eterno de entes queridos pode ser também uma ilha de silêncio e paz, onde se pode repensar a vida, e caminhar por dentro de si mesmo. A arte cemiterial ou tumular como prefir chamar, possui peculiaridades que convidam a uma análise minuciosa, desprovida de preconceitos.Arte tumular ou arte funerária é um termo usado para designar obras feitas para permanecerem em cima das sepulturas nos cemitérios e igrejas. É uma forma de representação que está ligada à cosmovisão de determinado contexto histórico, ideológico, social e econômico, interpretando a vida e a morte. Essa interpretação pode ser feita através de um conjunto de símbolos ou de uma obra narrativa, utilizando-se materiais variados como o mármore, o granito, o ferro fundido e o bronze.
A arte tumular atingiu seu apogeu nos séculos XVIII e XIX, sendo hoje menos utilizada em virtude do avanço do cemitério-jardim.

Simbologia




No caso dos símbolos, a representação remete a um significado diferente do objeto construído e colocado no túmulo, como, por exemplo, uma tocha com fogo, que remete à purificação da alma após a morte, ou seja, a tocha tem seu significado real transformado em um símbolo de purificação.
Com relação à obra narrativa o significado dos objetos construídos é literal e não metafórico, como no caso de muitos imigrantes que têm suas epopéias narradas desde a partida da terra natal com o navio até o final da vida como industrial no Brasil.

Nessas duas formas de representações podemos distinguir duas linhas: a nobreza e a burguesia industrial; a primeira utilizava mais o símbolo aliado a seus brasões e a segunda tinha a necessidade de demonstrar a sua importância através da suntuosidade.

* Material: Antigamente era usado o mármore de Carrara. Cada vez mais raro, passou a ser substituído pelo mármore comum, granito ou bronze.

* Pietá: A escultura de Maria com Jesus recem crucificado nos braços representa o desejo de que a alma seja bem recebida.

* Anjo que aponta: Quando a mão indica o céu, significa que o falecido era considerada uma pessoa boa e espera-se que ela vá direto para o paraíso.

* Anjo pensativo: Quando o anjo está pensativo, com a mão no queixo, significa que está refletindo sobre a vida do falecido e não existe certeza sobre a absolvição de seus atos em vida.

* Guirlanda: Simboliza o triunfo da vida sobre a morte.

* Pata do felino: Patas esculpidas nas quinas, são usadas para lembrar que o falecido era o responsável pelo sustento da família.

* Coluna partida: Representa o túmulo do último membro de uma família tradicional.

* Escada: Intervalada em dregaus finos e largos, representa a vida de altos e baixos que o morto teve.
Embora os símbolos usados na arte tumular sejam, muitas vezes, comuns a outras artes, essa simbologia utilizada nos túmulos só pode ser interpretada correctamente tendo em conta a época e o contexto social e cultural em que foram utilizados, pelo que, qualquer chave de interpretação pré-definida, pode redundar em conclusões erradas. Assim, nos túmulos erguidos nos cemitérios portugueses durante o Romantismo, os símbolos mais utilizados foram determinadas flores e coroas vegetalistas, figuras alegóricas (nomeadamente as que representavam virtudes cristãs), certos animais (como o cão, para demonstrar fidelidade), a cruz (como símbolo da fé cristã), tochas invertidas, ampulhetas e génios da morte (inspirados nos túmulos da Antiguidade Clássica), anjos (de diversos tipos), entre muitos outros.


Que tal um tour pelo cemitério mais importante do mundo " Cemetiere Du Pére La Chaise " http://www.pere-lachaise.com/perelachaise.php?lang=en

terça-feira, 1 de março de 2011

Papel ganha vida nas mãos da artista Su Blackwell











Esculpidas, Cortadas, trituradas as páginas dos livros ganham vida e configuram cenas de magia, contos de fadas, nos presenteando com sonhos.


Conheça um pouco do trabalho da artista plástica Su Blackwell, que cria suas obras de arte a partir de livros ou caixas de madeira. No caso dos livros, Su primeiro os lê para inspirar e na sequência usando navalha e cola constrói miniaturas cheias de detalhes relacionadas a história do livro.




O que fazer com aqueles livros que há muito tempo estão encalhados na sua casa, desatualizados demais para serem doados para alguém ou para alguma biblioteca?

Aí vai uma idéia! Por que não reciclá-los de uma forma diferente, produzindo obras de arte? Parece estranho, mas a artista e diretora de arte Su Blackwell mostra que isso é possível, para aqueles que tem paciência e muita criatividade .

A Arte de Su Blackwell e Jum Nakao : Esculturas em recortes de papel

A artista Su Blackwell

coleção costura do invisível do artista Jum Nakao

coleção costura do invisível do artista Jum Nakao




coleção costura do invisível do artista Jum Nakao















Navegando na internet, tive o prazer de conhecer e contemplar a poética da diretora de arte e artista plástico Londrina Su Blackwell, um trabalho engenhoso e delicado feito com recortes de papel e livros antigos, ao observar seu trabalho pude lembrar do desfile apresentado pelo artista plástico e estilista Jum Nakao , fez também o figurino de papel da minisérie hoje é dia de Maria na TV Globo.Ambos os artistas tem em comum em suas poéticas o trabalho escultórico em papel traduzindo novas possibilidades de uso do material .

As vezes uma simples folha de papel, é um belo pretexto para o artista dar vazão às mais elaboradas e inspiradas fantasias...

sábado, 2 de outubro de 2010

A estética do Cangaço : vestuário de Lampião



Há 100 anos nascia Lampião, o "rei do cangaço". Esse "rei" assaltou, seqüestrou, torturou, assassinou. E foi assim, como um sádico fora-da-lei, que ele se tornou um ídolo popular. Por trás de sua face bárbara, o cangaceiro Lampião escondia um sensível dândi, devotado às questões estéticas e culturais de seu tempo (início do século) e espaço (agreste nordestino).

1. Chapéu - inspirado no modelo francês adotado pelo imperador Napoleão Bonaparte, de quem Lampião leu a biografia.
2. Lenços - de tafetá francês ou seda pura inglesa; geralmente estampados e coloridos, quebravam a monotonia do tom ocre da roupa.
3. Brincos - ao contrário de outros sertanejos, os cangaceiros usavam brincos e outras jóias.
4. Casaco - desenhado e costurado em algodão ou couro por Lampião, que carregava uma máquina de costura Singer para todos os seus acampamentos; tem também inspirações medievais.
5. Perfume - os cangaceiros costumavam ser reconhecidos pelo cheiro excessivo de perfume, inclusive pelas volantes; Lampião preferia o "Fleur d'Amour", considerado um dos melhores perfumes franceses entre os anos 20 e 40.
6. Calça - o modelo mais usado era com culote e cintura bem alta; usavam até três no inverno devido ao frio à noite.
7. Cabelo - longo. Lampião deixou de cortar os cabelos como promessa, após a morte do irmão, sendo seguido pelos outros cangaceiros; às vezes, eles penduravam anéis no cabelo, depois de lotados todos os dedos das mãos.
8. Arma - como outros adereços, era cravejada de moedas de ouro, influência da marchetaria árabe no sertão nordestino; segundo o historiador Gilberto Freyre, os árabes são uma "eminência parda" na cultura nordestina.
9. Alpargatas - enfeitadas com desenhos costurados; tinham uma lingueta para proteger os dedos
10. Saia - sempre acima do joelho, desrespeitando a convenção da saia rendada até o tornozelo.
11. Anéis - mulheres e homens usavam até três anéis por dedo.
12. Alpargatas - desenhadas e confeccionadas em couro por Dadá, mulher de Corisco, estilista do grupo.
13. Colares - também usados em abundância.

Aqui Da série: Nossos bandidos...
Site Oficial Lampião

Fonte: iar.unicamp. 1997

terça-feira, 27 de julho de 2010

Livro: As imagens que invadem as salas de aula


A obra discute sobre como o universo visual, ou seja, fotografias, filmes, propagandas, revistas, entre outros, produz o modo como crianças e adultos enxergam e atribuem valores e significados imagéticos e como construímos nossas representações sobre nós e sobre os infantis, através dos artefatos manuais que se fazem presentes todos os dias em nossa vida.

Além disso, a autora Luciana Borre Nunes traz experiências vividas na prática, fundamentadas nos estudos de cultura visual, realizadas com crianças nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O registro no ensino da arte


O registro no ensino da arte
Juliana Carnascialli


É através da linguagem que o homem resgata o mundo externo no seu universo interno. A ação de registrar tem por objetivo exercitar diferentes possibilidades de marcar a aprendizagem a partir da criação, ato revelador



A partir de cursos realizados em 2003 no Espaço Pedagógico, fundado por Madalena Freire, muitos mergulhos em encontros sobre arte-educação, sobre ser um professor pesquisador, mediados por Gisa Picosque, educadora, assessora e curadora de arte, despertaram meu apaixonado olhar pedagógico. Fizeram com que eu ampliasse o trabalho de registro, que já era prática em sala de aula, de modo que se tornasse mais significativo para os alunos como uma prática e um momento de avaliar, um desvelar para revelar processos deixando marcas. Algo sem o que, depois de um tempo, muitos alunos não conseguiriam viver sem, já que deixar marca é identificar, é fazer parte.

Meu objetivo foi fazer com que o registro ficasse inerente à criança e sua construção de conhecimento de forma criativa e prazerosa, colaborando com a possibilidade de desenvolvimento de capacidades perceptivas e cognitivas, com a leitura de mundo a partir da leitura de ações presentes e com a expansão da capacidade criativa de cada um. O ligar, relacionar, sugerir, modificar, inferir.

Desta forma, "seduzi" aos poucos as crianças com o universo do "deixar marcas". Quando menos percebi, estava sendo cobrada: "Professora, hoje não tem registro? Fiz meu registro, você pode ver? Posso mostrar meu registro para a classe? Não consegui fazer o que foi sugerido, mas escrevi, quer ver?", e assim por diante. Muitas vezes, uma aula programada transformou-se, de modo positivo, em aula de registro, um meio construtivo de ensinar-aprender, um modo de rever conhecimentos construídos, podendo construir conhecimentos novos, quando os grupos de alunos apresentavam sua forma de olhar sobre acontecimentos das aulas e atividades.

Este especial trabalho com a ação de registrar tem por objetivo exercitar diferentes possibilidades de marcar a aprendizagem a partir da criação, ato revelador. Para que sejam percebidas as suas possibilidades, caminhei através dos tempos, pela citação sugestiva de um exemplo prático, fruto de linguagem que constituiu e constitui cultura, e que foi trabalhado no ano de 2004 com alunos de 4a série do ensino fundamental. O exemplo prático: Pablo Picasso, artista espanhol considerado um dos mais importantes do século XX por sua capacidade inventiva e expansiva de registro dentro e fora, para si e para o mundo, em especial, por sua capacidade de olhar, um mover-mutar o olhar.

Com as crianças, mover-mutar o olhar foi deslocar a pessoa aluno no tempo-espaço, linkando o ontem ao hoje, e provocá-las a olhar-pensar, a descobrir Picasso e o porquê da importância de sua trajetória a partir da ação. De que forma? Utilizando a ferramenta-coração deste texto: o registro expandido.

Tudo isso porque é através da linguagem que o homem resgata o mundo externo no seu universo interno. E apresentar estas possibilidades de registro aos leitores é oferecer a seus olhos diversidade, caminhos de reflexão, é exaltar a importância da linguagem artística, que se utiliza dos símbolos, para a construção de uma cultura que pode ser memória de mundo. Buscar caminhos criativos para registrar pode ampliar horizontes, teias de informação. Para isso, os passos são: olhar, sentir, refletir, registrar, chegar mais perto, deixar um rastro, fazer uma história, acontecer, tecer... Sempre por diferentes olhares.

Para exercitar este caminho sugerido, estimulei os alunos a olhar de modos diferentes o universo de Picasso. Proporcionei a eles uma imersão em imagens e histórias, capturadas por eles mesmos sobre a vida e obra do artista, com o intuíto de mapeá-lo. Ou seja, realizar um mapa de percurso que imprimisse sentido à condição de artista provocador, bem como mostrar sua importância no contexto do mundo no século XX e depois.

Em grupos, os alunos puderam coletar tudo o que consideravam essencial existir de modo prático para o mapeamento do artista. Talvez você esteja pensando: "Mas como ela fez isso com alunos de 10 anos? Como eles compreenderam que um mapa poderia ser uma forma de registrar, de dar sentido? Como ela os provocou?

Parece difícil! E pode ser. Mas não é quando temos clareza do que queremos apontar. Logo, esclareço. Antes da montagem do mapa, foram realizadas atividades de nutrição estética - leitura de imagens - , discussões sobre o assunto, indagações sobre para que pode servir um mapa. Desta maneira, quando desafiei o grupo a usar as experiências vividas e as descobertas realizadas até o momento para descobrir mais e representá-las em forma de imagem de modo organizado, tive uma surpresa feliz com o que haviam selecionado de mais importante para caracterizar o artista estudado. Havia envolvimento e desejo de fazer-aprender, a busca da essência do artista para o registro. Com este processo deu-se a consciência, da matéria à idéia.

É interessante que no início do ano os alunos sejam convidados a deixar rastros, a ver de modos diferentes. E para fazer isso acontecer é necessário provocar. Uma sugestão de provocação pode ser a resignificação de objetos do cotidiano, por um mediador, no caso o professor. Estes itens terão o objetivo de entrar no universo da sala de aula de forma a virar objeto de desejo e curiosidade nos processos de aprendizagem. O desejo move. Já dizia Félix Guattari : "O desejo passa por cima e por baixo de todas as barreiras". O desejo tem a capacidade de fazer o indivíduo gerar deslocamentos, e estes proporcionam revelações.

No ano de 2005, como objeto de desejo em uma escola de Osasco (SP), foi inventado o Momento Óculos. Foi dito à classe que no final da aula eles receberiam um presente para o coletivo. Portanto, precisaria de cuidados especiais, todos poderiam levar para casa e utilizar, experimentar. Ao final da aula foi dado o presente: óculos de plástico com olhos impressos. Além de instigantes, curiosos e divertidos, eles transformam o indivíduo, que, quando os coloca no rosto, parece um outro alguém, com um diferente objetivo, um novo olhar. A missão para o aluno sorteado a passar uma semana experimentando os óculos era simples: ver coisas que nunca viu, ou ainda, olhar algo que sempre vê para descobrir detalhes nunca antes percebidos. Todos queriam levar os óculos e experimentar.

No retorno, o aluno experimentador expressa suas descobertas para a classe do modo que considerar mais coerente. Aqui temos o ritual da transposição, a representação, o colocar para fora o reflexo do que se percebeu nos espaços percorridos.

Para isso, exercícios de registro. A princípio, registro escrito, este que colabora no desenvolvimento de capacidades descritivas, críticas, criativas, organizacionais e expositivas, sugerindo percursos de auto-estima, desenvoltura, comunicação e identificação. Criação de histórias que imprimem qualidade à construção do conhecimento, a oportunidade do aluno se expressar e descobrir sentido na expressão, fato que modifica os processos de construção de conhecimento do indivíduo fazendo com que ele se dê oportunidades de aprender e inventar. Estabelecido este caminho, o educador pode inventar ainda mais, desafiar, propor registros múltiplos, como registro-desenho, registro-poesia, registro-receita, registro-mapa, registro-fragmento, registro-música, registro, registro, registro... Quanto mais criativos forem os desafios, maior é o desejo do aluno de fazer e trocar sua experiência.

Desta forma, professores de todas as áreas, a chave é instigar, seduzir, criar portas. Como diria Calos Drummond de Andrade: "Trouxeste chave?". Agora é com você, professor. Experimente!

Juliana Carnascialli é arte educadora, professora da Fundação Bradesco e assessora de práticas de ensino da Arte.
E-mail: j.carnasciali@ig.com.br


REFERÊNCIAS
GUATTARI, Félix - Mil Platôs - capitalismo e esquizofrenia - volume 1 . coleção Trans - editora 34 - SP p 1995
ANDRADE, Carlos Drumond de - www.opoema.libnet.com.br/carlosdrummond/carlosdrummond.htm

Fonte: Artigo originalmente publicado pela Revista Pátio Ano IX - Nº 34 - Avaliação Novos Desafios - Maio à Julho de 2005

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Expo:COLEÇÃO MAM-BA 50 ANOS DE ARTE BRASILEIRA


No próximo dia 18 de dezembro, às 20h, o Museu de Arte Moderna da Bahia abre a exposição Coleção MAM-BA 50 Anos de Arte Brasileira, com 86 obras de seu acervo que ilustram momentos chave da história da arte brasileira nos últimos 60 anos. A exposição ocupa todos os espaços expositivos do Solar do Unhão e se divide em quatro núcleos: Modernistas, Fotografia, Rubem Valentim e Contemporâneos. Uma Linha do Tempo, construída na Galeria Subsolo, contextualiza a história do acervo e do museu.
Com curadoria geral da diretora do MAM, Solange Farkas, a exposição é fruto de um intenso trabalho de pesquisa e restauro do acervo. Ela expande o projeto do livro MAM-BA (Coleção Museus/Instituto Cultural J. Safra, 2008), que dividia a coleção em recortes comentados por curadores: Contemporâneos (Cristana Tejo, da Fundação Joaquim Nabuco), Rubem Valentim (Emanoel Araújo, do Museu Afro Brasil), Fotografia (Rubens Fernandes, da Faap) e Modernistas (a crítica Aracy Amaral).
“A ideia não foi só inventariar o conjunto de obras de arte adquiridas e conservadas pela instituição, mas também compreender em profundidade suas riquezas e lacunas e, sobretudo, apontar caminhos para sua continuidade e expansão”, diz Solange Farkas, diretora e curadora do MAM-BA.
A exposição ficará em cartaz até 28 de março de 2010 e contará com uma intensa programação educativa. A data da abertura foi escolhida em função do Dia do Museólogo, comemorado em 18 de dezembro.

VISITE A EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL :BENIN ESTÁ VIVO AINDA LÁ - ANCESTRALIDADE E CONTEMPORANEIDADE